Mais que um clube, uma religião

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“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los.” Jack Kerouac, neste trecho do ótimo livro “Na estrada”, descreve a essência do que é ser gremista.

O prefácio desta obra prima na versão brasileira foi escrita pelo gremista Eduardo Maluco Beleza Bueno. E esta vibe “On the Road” remete ao nosso genial hino, composto pelo também gremista Lupicínio Rodrigues . O “Até a pé nós iremos” é uma forma de mostrar que a nossa procissão, a nossa religião consiste em seguir o Grêmio. Para o que der e vier. Onde o Grêmio estiver.

A Imortalidade não está no fato de jamais perder. Ela é encontrada no acreditar quando todos os demais já desistiram. Ser “Imortal” é muito mais do que uma alcunha, é um modo de vivenciar as pelejas, é uma ideologia de vida, é pelear nos gramados, sejam eles impecáveis ou mesmo os esburacados do interior gaúcho. É saborear a glória, mas também mostrar virtudes de guerreiro ao perecer.

O acreditar nunca sai de nosso vocabulário. E não precisamos ficar em coro berrando “EU ACREDITO” no estádio. Quando tu veste azul, preto e branco, esta é uma condição inafiançável. 

Obrigado pai e mãe por terem me criado gremista. É um sentimento incondicional e inexplicável!

Parabéns, Imortal! Sangue, suor, sonhos, copeirismo, lágrimas e glórias redentoras. Eu te amo, Grêmio!

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Grenal: a vitória de quem merecia e o bom exemplo

Por Daniel Chaves / Fotos: As duas primeiras de Fernando Gomes e a última de Diego Guichard

No primeiro Grenal do ano venceu aquele que deu mais importância. Recheado de reservas o Grêmio fez pouco, o Inter um pouco mais. A qualidade do time do Internacional fez a diferença quando se chegou na cara do gol e a vitória por dois a um em Erechim traz calma para Dunga começar o trabalho.

Um primeiro tempo de correria e encaixes, muita luta e pouca técnica. De futebol mesmo se viu muito pouco. O Grêmio se tinha, tinha menos ainda. Jean Deretti até pensou flertar os olhos dos gremistas com algumas arrancadas, mas derreteu com o passar do tempo. Léo Gago sentou a mamona em Muriel, chutando a pelota do meio da rua na gaveta, coisa rara de se ver, ainda mais vindo do volante disfêmico que tem em sua cabeça uma segunda goleira imaginária em cima da real baliza. Depois de passar dois anos em um spa na Azenha, Gabriel conseguiu ir ao fundo algumas vezes, tabelando com o argentino D’Alessandro, que fazia o lateral-direito tirar algumas gotas de balada em cada bola enfiada. Damião também teve uma chance desperdiçada daquelas que não passa nos melhores momentos da Globo Internacional, principalmente para Inglaterra. Forlán, que não vinha jogando nada (desde que chegou, na verdade), recebeu na ponta direita, cortou pro meio e bateu com a canhota no canto direito de Busatto. Jogador que sabe é assim: não esquece. O jogo era equilibrado, mas o Inter merecia a vitória no primeiro tempo por mais lucidez nas ações em campo. E por ter o melhor jogador em campo também, que dava o ritmo e distribuía as saídas: D’Alessandro.

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Com o Grêmio não mudando nada, tendo que mudar, e o Inter podendo trabalhar o resultado e continuar como estava, não demorou muito para o óbvio acontecer. Damião aos oito minutos acabou com o jejum e teve só o trabalho de escorar a redonda para dentro, depois de um chute cruzado de Fabrício. Mas Fernando respondeu aos 10, em um falta cobrada sem ângulo, o primeiro peru aceito por Muriel depois do Natal. O Grêmio tentava ocupar o campo do Internacional, mas sempre lhe faltou técnica para os golpes finais, tanto no passe, quanto no chute. O Inter incomodava, com Forlán cutucando na área e D’Alessandro sempre dosando as jogadas. Chegado aos 30 minutos, Roger lembrou-se que poderia alterar, sendo, dessa vez, o técnico e não o auxiliar. Eis que promoveu, para a mudança geral na bonança, o garotinho do xerox Rondinelly. Nada fez, claro. Em sua profissão antiga esquentando a barriga na fotocopiadora era bem mais efetivo. Para não perder, Dunga mandou a campo Josimar, ex-segurança de padaria, e tudo ficou na mesma. Yuri Mamute adentrou em campo também, e, mesmo parecendo que o Grêmio sairia vitorioso com essa alteração, nada aconteceu. Aos 45 o time colorado fez olé e D’Alessandro perdeu seu gol merecido, de falta. É claro que perdeu, não havia Victor.

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Jogadores o time colorado tem, falta organização. Dunga parece estar caminhando rumo a praia por aquelas ruas de Pinhal, onde se escolhe o pedregulho menos afiado para meter o pé. Todos tem chance até provarem ao contrário e os jogadores colorados se esforçaram para isso. Do time B do Grêmio se viu o que se esperava: nada. Willian José mais uma vez apático, pedindo vaga no Grêmio C. O jogo de War na casa do Rodrigo Mendes surtiu um pouco de efeito.

De bom mesmo, vimos nas arquibancadas. Divididas em meio a meio, as torcidas em Erechim deram um show de paz. Com colorados passando no meio de gremistas e vice-versa. Que bom se fosse sempre assim. Que bom se fosse em todos os lugares. Nos tempos de mortes tão fúteis, é uma bela vitória do povo de Erechim.

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Voltaram

Por Daniel Chaves / Fotos (diga-se de passagem, sensacionais): As duas primeiras de Diego Vara e a última de Lucas Uebel

Era a verdadeira estreia da Arena e ela não decepcionou. As traves que salvaram a LDU em Quito de sofrer o empate ou a derrota, não estiveram ontem no bairro Humaitá. Como prólogo de uma crônica anunciada, foi dito neste mesmo SAITE que as barras de ferro do Olímpico fariam a sua parte. E fizeram. O Grêmio venceu a Liga no tempo normal e nos pênaltis, com uma penalidade batida no poste e uma defesa redentora de Marcelo Grohe, garantindo a vaga no grupo 5 da Libertadores, embrenhado com Fluminense, Caracas e Huachipato.

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Desde o início correndo atrás do resultado, só o Grêmio dava as cartas em campo. Do outro lado não poderia ser muito diferente. Com um time catimbento e experiente, a LDU soube dosar o jogo, principalmente com o goleiro Alexander Domínguez, que teve a hombridade de matar tempo desde o primeiro tiro de meta com dois minutos de jogo. Os 40 mil nervosos e ansiosos na Arena viam o seu time com vontade de vencer, mas com um mesmo Marcelo Moreno apagado de semana passada e um desentrosamento natural no começo de ano. O Grêmio parecia não achar o caminho do gol desde Quito. E os 45 iniciais mostraram isso: um time que era superior, mas que não sabia ser superior. A LDU não jogou e não iria jogar. Destruir é muito mais fácil em um time em formação.

A saída de Moreno era óbvia, André Lima e seu marketing era preciso. Além disso, Luxa sacou o volante Fernando para a entrada de Willian José. André ganhou 18 vezes mais que Marcelo nos embates com os zagueiros, conseguia fazer a parede e segurar a bola pra chegada do resto do time. Willian foi quase um nada. Só tocou na bola nas penalidades, não jogou. Pelo menos soube cobrar. Vargas ainda era claramente o jogador mais perigoso e dentro da partida. Por vezes leve e calmo, outras arrancando e atropelando os jogadores da LDU. Zé Roberto teve que ser recuado para buscar jogo. Elano era preguiçoso como um pombo gordo do Cachorro do Rosário, que prefere tomar um chute ao correr, mas que come ervilha e milho e, portanto, é um ser diferenciado de asas. No caso do Elano, sem asas.

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Aos 16 minutos Elano acertou um chute que emula o estampido de uma flecha cravando no peito de um secador, e, ao mesmo tempo, um abraço coletivo na torcida gremista, de berrar e chorar em pleno janeiro. Um petardo de fora da área que encontrou o ângulo direito de Domínguez, tocando no poste de dentro, estufando a rede, explodindo o estádio e causando semi-AVC em muitas pessoas. A partir daí, o Grêmio continuou em cima, a LDU até pensou em sair pro jogo, mas não conseguia. O nervosismo já tinha ido embora, mas os gremistas queriam fugir da bomba caseira que é uma cobrança de pênaltis na Libertadores. Hurtado ajudou quando enfiou o pé na cara de Deretti, ganhando o vermelhinho e conferindo se estava tudo certo pelo vestiário. O Grêmio até tentou outra vez com o mesmo Deretti que recebeu na área, mas se atrapalhou. Mesmo com uma paralisação de sete minutos (sem contar substituições, cera, gol e outras coisas), o senhor Saul Laverne resolveu dar seis de acréscimo. Vai que ele se complica.

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Bola no cal e a esperança gremista. O desempate do desespero teve os erros de Saimon, que foi lento para a bola dando as facilidades para o goleiro, Reasco, que viu renascer as traves do Olímpico para fazer toda diferença final e Morante, que olhou para frente e, por um momento atemporal devido ao uma aurora boreal que sobrevoava levemente na noite calorenta de Porto Alegre, viu Galatto pular canto, mas ainda sim pegar com o pé. Grohe saiu correndo como uma criança.

Koff, libertadores, guris da base, pênaltis, Grêmio, torcida pilhada e vaga suada. Não podemos falar de candidatura ou favorito ao título, muito cedo para analisar qualquer coisa. O certo é que o Grêmio chegou. E com todos esses elementos, já vimos a taça ser levantada pelos gremistas mais de uma vez.

Voltaram.

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Que seja

Por Daniel Chaves – Foto do Grêmio e Diego Vara.

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Jogou bem, se impôs, apresentou-se como em uma Libertadores, estreou bons novos jogadores e perdeu. A preparação em Quito mostrou que o Grêmio fez quase tudo certo para sair com um bom resultado na primeira partida, mas o futebol é bola na rede. A LDU vai com um resultado modesto e pequeno, porém importante e traiçoeiro.

Um primeiro tempo de muitos erros de passes, com os dois times não sabendo muito bem o caminho do gol. A conclusão certa era que Marcelo Moreno e Wiliam José não poderiam estar em campo, pelo menos juntos. O Grêmio não foi agudo o suficiente, o jogo não foi agudo o suficiente. A impressão de primeiro jogo da temporada era nítida para ambos os times. Aquela sensação que os jogadores ainda não sabem o caminho pro gol. Mas foi sem sustos, e era isso que o Grêmio queria. Cris comandou a área, Saimon cumpriu a promessa que fez para mãe. O único medo era quando a pelota chegava ao encontro de Tony, relacionamento esse que duvidamos do sentimento.

Diego Vara

Na segunda etapa não só o Grêmio como a LDU e, consecutivamente o jogo, foram diferentes. Vargas no lugar de Wiliam José deu ao time mais velocidade, o tricolor pareceu correr mais e ser mais agressivo. A LDU via espaços, mas Dida era um veterano que transmitia extrema segurança embaixo dos paus. O tricolor dominava a partida. Até que aos 27 minutos em uma bola jogada para a área, o goleiro do Grêmio se chocou com Garcés, machucando o ombro, deixando Marcelo Grohe voltar ao lugar que tomou conta no ano passado. No primeiro ataque a obra do destino: após praticar duas defesas difíceis, Feraud pegou o rebote de Grohe e currou a bola pra dentro. O lance foi o hiato do segundo tempo de um Grêmio com duas bolas no travessão e cabeçadas imperdíveis de um Marcelo Moreno em dia de Finazzi. Seriam necessários oito horas ininterruptas para que o Grêmio voltasse com um empate.

A decisão ficou para Porto Alegre. A estreia de um jogo oficial na Arena, com um Grêmio nitidamente superior, porém, em desvantagem. Apesar de o placar não ser elástico, um gol da Liga no Humaitá é o pesadelo que os gremistas terão durante uma semana. O Grêmio parte de um Vargas, que teve uma ótima estreia, mais entrosado. Com uma boa atuação do time, mas ineficiente (e é preciso saber o porquê). Agora: as bolas que estouraram no travessão do Casa Blanca, não são as mesmas na Arena. Que nas barras metálicas transportadas do Olímpico estejam a mística de um velho Monumental, vencedor de muitos jogos de Libertadores. Que a torcida dos anos 90 seja transportada. Que Paulo Nunes e Jardel sejam transportados. Que o cheiro de churrasquinho entorno do estádio esteja presente. Que o vendedor de abacaxi-limão-e-coco esteja lá gritando. Que eu consiga entrar escondido com um cantil de whisky. Que a bola bata na trave e entre.

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Tchau, Pablo!

Por Felipe Uhr fotos do site do Internacional

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A História do volante argentino Guiñazu com o Sport Club Internacional começou em julho de 2006. Ainda vestindo as cores preto e branco do clube paraguaio Libertad “Guiña” enfrentou o Inter nas semi-finais da Libertadores.  Ainda virgem internacionalmente o colorado lutava, naquela época, para superar o trauma obsessivo do “quase” que perseguiu o clube da Av. Beira-Rio por 14 anos, tempo que ficou sem grandes títulos. Apesar da derrota e eliminação, para o time gaúcho, “EL CHOLO” chamou  atenção. Era um dos destaques do time paraguaio. Despertou interesse dos dirigentes colorados. Após a saída de Tinga, o pulmão daquele time campeão da América, Guiñazu era o principal cotado para substituir o incansável guerreiro que foi embora. Não veio. O colombiano Vargas foi o contratado para jogar o Mundial Clubes da Fifa no final do ano que acabou em festa colorada.

A chegada de Pablo Horácio Guiñazu à Porto Alegre aconteceu um anos depois daquele embate eliminatório sul-americano. Após um primeiro semestre frustrante que acabou com o Inter eliminado na primeira fase da Libertadores e com um humilhante 7º lugar no Gauchão, o então vice de futebol e administrador da Rodoviária de Porto Alegre, Giovani Luigi, trouxe reforços para o Beira-Rio. E um deles era Guiñazu. Não demorou muito para o volante gringo  ganhar o respeito e admiração dos torcedores colorados. Sua garra e disposição dentro de campo fizeram a torcida rapidamente esquecer de Tinga.

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Em cinco anos e meio de Internacional, não houve um dia em que Guiñazu não foi incansável. Até mesmo nos treinos encasacados de 40 graus se doou intensamente ao clube do Povo. Profissional exemplar, nunca foi manchete de escândalos, resultado de noitadas ou orgias.  Também não me lembro de nenhum conflito com algum colega de grupo. Me recordo de um momento em que Pablo demonstrou o ser gigante que é. Em uma partida do Internacional, não recordo exatamente contra quem, o argentino era o capitão. Tinga, ídolo colorado e recém recontratado estava no banco e entrou durante a partida, se não me engano no intervalo. Virou o capitão. Atitude que partiu de “Cholo”. Ao final da partida declarou que Tinga era um ídolo, uma liderança no time e que merecia ser o capitão. Fantástico.

Ao lado de Tinga, se tornou campeão continental. Atingia seu ápice no Inter. Antes já havia conquistado o campeonato gaúcho e a copa sul-americana em 2008. Ano em que foi um monstro dentro de campo, inclusive virando alvo de clubes estrangeiros. Não é craque mas sim um jogador de movimentação incrível.  Mesmo com propostas milionárias que chegaram em sua residência, decidiu ficar. Virou letra de música da torcida, faixa de CD. Tinha a marca da raça e da garra vermelha. Não há palavras para o valorar que Guiñazu representou para o Sport Club Internacional.

Entendo a sua saída. Talvez estivesse se sentindo acomodado, algo inadmissível para sua consciência e por isso decidiu ter um objetivo novo em sua vida, agora em outro clube. Temos que entender isso.  Pablo Guiñazu cumpriu com excelência seu ciclo no Inter. Repito: em nenhum momento, como ele mesmo dizia, deixou de dar 110% nos 285 jogos com a camis vermelha. Dessa forma, não teria como ter um pedido seu negado seja qual ele fosse. Pediu para sair, foi aceito. Vai fazer falta. Está de volta ao Libertad. Talvez ache que ainda falta conquistar algo por lá. Algo que faltou em 2006, começo de nossa linda história. Vai Guiña, segue tua senda de vitórias, também és um colorado das Glórias! Seguiremos a nossa! Um 2013 de alegrias e títulos para o povo vermelho!

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O feijão está no fogo

Por Daniel Chaves / Fotos: Nelson Perez, Reuters e Marcos de Paula (respectivamente)

Mesmo com o estoque de bebidas já comprado e os foguetes esperando a pólvora de um fósforo consciente do título no Rio de Janeiro, Fluminense e Grêmio deram um belo espetáculo ao campeonato. Uma partida cheia de tramas, reviravoltas, mas com um final tranquilo e sereno, como uma relaxada em uma sala ampla com lareira, numa poltrona macia e aveludada tomando um gostoso e forte aperitivo.

O Grêmio, que precisava de uma vitória para ainda deixar alguns remanescentes no delírio de ser campeão, ousou um pouco mais no primeiro tempo. E, por consequência, teve mais chances de sair na frente. Tanto na bola que espirrou no travessão do cruzamento de Anderson Pico (o lateral da próxima Copa do Mundo), quanto na jogadaça de Elano que terminou em um chute forte, no canto, salvo por Cavalieri. Ainda teve o lance de Leandro que, sem habilitação, invadiu a área, tirou do arqueiro do Fluminense e rolou a bola pra alguém escorar para um gol vazio, mas que foi salva pelo lateral Bruno, quase sendo nocauteada no rebote de Marco Antonio que buscava o ângulo. O Fluminense esperava o erro do adversário, um contragolpe mortal, ou, desculpa a maldade, um pênalti.

Logo no começo da segunda etapa, jogando mais que o Fluminense, o Grêmio surpreendeu a todos e saiu na frente, já que quando o tricolor começa melhor que os seus adversários em jogos decisivos, principalmente nos últimos tempos, não demora mais que 10 minutos para tomar um gol. Mas os tempos realmente parecem outros. Elano recebeu a dica de Marco Antonio: ‘Bate por baixo’. Nem tão Messi, nem tanto Ronaldinho, o Visconde de Sabugosa bateu aonde todos diziam que ele iria bater, matando Cavalieri, fazendo um golaço. O tricolor gaúcho não pareceu se acadelar por estar na frente, fato que Luxemburgo tem feito com frequência e continuou jogando. Mas aí, o Fluminense, que é um time perigoso e de qualidade saiu para o jogo. Em uma virada meteórica com Digão, após desvio no escanteio e finalizando com um pulinho de futevôlei no ângulo, e, Rafael Sóbis, um petardo de fora da área, mas no meio da goleira que Grohe apalpou com o pulso mole e aceitou, o Fluminense pareceu ter dado um veneno fatal no coração dos gaúchos.

Para tentar mudar as coisas, Luxa lançou a campo Marcelo Moreno e Marquinhos. O boliviano foi apupado pela direção gremista, que se esforçou para trazer o atacante direto da casa de Evo Morález para ver Luana Piovani passeando pelo Leblon. Todo isso em vão. Marcelo ficou Moreno de raiva após tomar um chega pra lá no fígado de Rafael Sóbis. Todos sabemos que não se bate em fígado de bêbado. O boliviano deu o troco com um cotovelaço que fez Kléber parecer um anjinho. Viagem antecipada, milhares de quilômetros e apenas 43 segundos em campo.

Com um a menos após uma virada meteórica, o Grêmio tinha tudo para se abater. Mas não foi bem assim. Jogou de igual, teve oportunidades, claro, sempre dando espaço para os contragolpes que, um deles, poderia ter sido melhor finalizado por Fred que estava livre de marcação para matar o jogo. Já que não aniquilou a partida, o tricolor gaúcho teve sua euforia final aos 40 minutos, com o gol de empate de Zé Roberto, pegando um rebote na área. Foram cinco minutos de ainda dá. Mas não deu. O bafo dos gremistas não ultrapassavam a barreira de mais de mil e quinhentos quilômetros de distância.

Um campeonato de pontos corridos é assim, fica melhor com uma partida de ‘mata-mata’. Uma partida decisiva. Isso só prova que o coração sofredor e doentio do torcedor brasileiro quase infarta de alegria ou de tristeza em um jogo decisivo. Não faço campanha para a volta do formulismo, mas, nasci para ver jogos assim.

E o Fluminense saiu da partida como entrou. Na frente, com a mesma margem de vantagem. Nem parindo uma bigorna Grêmio e Atlético-MG encostam em Abel. Pode colocar o feijão no fogo. O Fluminense é o campeão brasileiro de 2012.

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Chega

Por Daniel Chaves / Foto: Lucas Uebel e site do Fluminense

Acorda gremista. Acorda por que o sonho acabou. O delírio de ainda acreditar no título brasileiro teve um capítulo final na mão que não houve, na falta que não aconteceu e no tiro final e fulminante de um Botafogo sem ataque e sem vontade.

Um bom primeiro tempo. Apesar de não haver penetrações com toque de bola, o Grêmio foi a frente. Fez volume, fez a torcida gritar ‘uh!’ e meteu bola no poste. Mesmo sem Elano, Kléber e Marcelo Moreno. Mesmo com Marquinhos, Leandro e André Lima. O gol tinha muitos minutos para sair e resolveu aparecer aos seis minutos da etapa final.

Léo Gago fez uma espécie de kickoff rasante e acertou. A torcida explodiu, o campeonato estava em aberto. Lá pelos lados do lindo Rio de Janeiro, a desesperada Ponte Preta fazia um a zero no Fluminense, que não via caminhos para encontrar o empate, quem dirá a virada. O Botafogo nem se mexia. Oswaldo de Oliveira até lançou sua equipe a frente, mas o Fogão nunca pareceu ter um atacante em campo, apenas um emaranhado de meias.

Mas a arbitragem decidiu decidir. Nada mais justo o final do campeonato terminar como foi o seu rascunho durante o ano inteiro. Um pênalti diferente fez com que o Fluminense empatasse a partida. Jogando com um a mais em campo, era questão de tempo até que a virada chegasse. Mas, pra não depender do tempo e da sorte, uma falta igualmente inexistente foi marcada na lateral de campo para o time das Laranjeiras. Gum, competente zagueiro, desviou e foi para o abraço embriagado de Abel. Tanto o empate quanto a virada foram sentidos no Monumental. Não importa, já aconteceu outras vezes no campeonato, e a torcida gremista continuava em sua loucura de continuar acreditando. Até que o Botafogo recuperou uma bola de ataque gremista, conseguiu organizar um contra ataque num time que estava ganhando em casa no fim de uma da partida, e fez o gol que estocou o coração de cada um dos 30 mil agora mórbidos gremistas.

As cinco vitórias seguidas do Fluminense já diziam chega. Os jogos do tricolor gaúcho contra Santos, Flamengo e Atlético-MG diziam chega. A política que invade o vestiário dizia chega. A sequência de lances do outro lado do Brasil já dizia chega. Mas, o gol do Botafogo, aos 45 minutos do segundo tempo, deu o último tapa na cara do gremista mais doente e imbecil e disse: Chega.

Agora, todos acreditam. O Grêmio não vai sair campeão.

PS: Foca aqui, gremista. Senão, sai sem título de novo.

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